Malaspina 2010, a maior expedição da história sobre Mudança Global

O projeto estudará a biodiversidade do oceano e o impacto das mudanças globais. Mais de 400 investigadores de todo o mundo participam do estudo que percorrerá um total de 42.000 milhas náuticas e que recolherá 70.000 amostras de ar, água e plâncton.

No final do ano passado partiu de Cádiz a expedição Malaspina 2010, um projeto interdisciplinar espanhol que pretende avaliar o impacto das mudanças globais no oceano e estudar sua biodiversidade.

A expedição, que conta com o apoio da Marinha Espanhola e da Fundação BBVA, toma o nome de Alejandro Malaspina, que ao final do século XVII dirigiu a primeira expedição científica de circunavegação espanhola e cuja morte completou 200 anos em 2010.

A campanha denominada “Expedição de circunavegação Malaspina 2010: Mudanças Globais e Exploração da Biodiversidade do Oceano Global”, é coordenada pelo investigador do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC) Professor Carlos Duarte. “Com esta expedição vamos dar a volta ao mundo, mas também estaremos gerando uma nova cultura de cooperação e união de forças. É um projeto ambicioso, de dimensão global, que atende a duas necessidades importantes: avaliar o impacto das mudanças globais sobre o oceano e explorar esse ecossistema até então desconhecido que é o oceano profundo.” Destaca Carlos Duarte.

As equipes realizarão coletas em 350 pontos e recorrerão 70000 amostras de ar, água e plâncton desde a superfície até 5000 metros de profundidade. O objetivo é desenvolver um estudo multidisciplinar para avaliar o impacto das mudanças globais e da biodiversidade do oceano profundo. Assim se estudará o intercambio dos gases entre o oceano e a atmosfera, o destino do CO2 absorvido pelo mar, a diversidade de organismos microscópicos das profundezas marinhas, a influência das substâncias químicas no oceano e sua possível toxicidade.

Serão percorridos mais de 42000 milhas náuticas de navegação, cuja rota passará por Rio de Janeiro, Cidade do Cabo, Perth, Sidney, Honolulú, Panamá, Cartagenas das Indías, Cartagena, Las Palmas de Grand Canárias e Miami. Em cada parada serão realizadas visitas guiadas ao navio Hespérides, além de conferencias sobre as conseqüências das Mudanças Globais e a expedição Malaspina. Quase 400 pesquisadores de todo mundo estão envolvidos neste projeto, dentre as quais o Brasil participa através da equipe do Professor Alex Enrich Prast da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A visitação ao navio ocorrerá no Pier Mauá no Rio de Janeiro, no próximo dia 15 de Janeiro. O número de vagas para a visitação guiada é limitado e as inscrições devem ser realizadas através do endereço eletrônico malaspinario@gmail.com impreterivelmente até o dia 12 de Janeiro.

“O planeta esta mudando drasticamente em função das atividades humanas. Todos os ecossistemas estão sendo afetados, e pouco se sabe sobre estas mudanças, principalmente nos oceanos, onde nosso conhecimento ainda é muito reduzido. Este é um projeto ambicioso, que certamente contribuirá para a compreensão do efeito das mudanças globais sobre o oceano.” relata o Prof. Alex Enrich Prast.

Todas as amostras coletadas formarão a Coleção Malaspina 2010, que incluirá também informação e imagem sobre o desenvolvimento da expedição e ficará guardada durante décadas a espera do desenvolvimento de novas ferramentas, como um cápsula do tempo que disponibilizará as seguintes gerações um amplo material para pesquisa.
A expedição é financiada pelo Ministério de Ciência e Inovação, o CSIC, a Marinha Espanhola e a Fundação BBVA. Maiores informações podem ser obtidas no site www.expedicionmalaspina.es


Alejandro Malaspina: de héroi a traidor.


Alejandro Malaspina (Mulazzo, 1754 – Pontremoli, 1810), capitão de fragata da Marinha Espanhola, iniciou em julho de 1789 a primeira expedição espanhola de circunavegação com as fragatas Descubierta e Atrevida. Durante a viagem, que durou cinco anos, os investigadores recolheram numerosos dados, cartografaram territórios, registraram fauna e exploraram o mar.
Depois da expedição, Malaspina foi condecorado e mais tarde acusado de conspiração, o que o levou a ser preso e despatriado e sua viagem esquecida até os finais do século XX. O prometo dirigido pelo CSIC recupera, 200 anos depois da morte do marinheiro, a importância desta expedição pioneira com o Projeto Malaspina 2010.

 
     
     
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