Atividades de Pesquisa
|
Ilhas dos Barbados - Reserva Biológica Poço das Antas Foto: Ernesto Viveiros de Castro |
|
|
O Laboratório de Ecologia e
Conservação de Populações do Departamento de Ecologia da UFRJ
está situado na sala A0-027, no Instituto de Biologia, CCS, UFRJ. Entre
outros itens de infra-estrutura, o LECP-UFRJ conta com uma excelente
biblioteca própria de Ecologia, Biologia da Conservação e assuntos correlatos, com mais de 4000
títulos entre livros, separatas e revistas científicas. O Laboratório se
dedica principalmente à Biologia da Conservação, com ênfase em estudos
demográficos detalhados das espécies envolvidas, tanto de mamíferos como de plantas. Para os mamíferos,
um dos o objetivos
principais tem sido estudar as perspectivas de sobrevivência de populações
de mamíferos isoladas pelo processo de
fragmentação
da Mata Atlântica. Quais espécies conseguem manter
populações em pequenos remanescentes florestais, quais não conseguem, e por
quê? Essas foram as perguntas principais de um projeto conduzido pelo LECP por
onze anos (1995-2005) num grupo de pequenos fragmentos florestais conhecidos
como Ilhas dos Barbados (acima), na Reserva Biológica Poço das Antas, Rio de
Janeiro. Esse projeto foi apoiado principalmente pela Fundação O Boticário de
Proteção à Natureza, pelo Programa Nacional de Biodiversidade (PROBIO) e pelo
Critical Ecosystems Partnership Funding (CEPF). Nos últimos anos, a maior
parte da pesquisa no LECP tem se voltado para a ecologia e conservação de
mamíferos semi-aquáticos em rios de Mata Atlântica, assim como de interações
vertebrados-plantas nesse mesmo sistema. Algumas das linhas de pesquisa que
tem sido de maior interesse do LECP são brevemente apresentadas abaixo.
Ecologia
e conservação de mamíferos
semi-aquáticos
Esta é a principal linha de
pesquisa atualmente em andamento no LECP, com apoio da Fundação O Boticário de
Proteção à Natureza. O
objetivo desta linha de pesquisa é entender a ecologia populacional e avaliar
o status de conservação do gambá d’água, Chironectes minimus, do rato
d’água, Nectomys squamipes e a lontra neotropical, Lontra
longicaudis, no norte
do estado do Rio de Janeiro. C. minimus é um marsupial aquático, noturno, da
família Didelphidae, a mesma dos gambás. Embora pouco conhecido pelo público,
o gambá d'água apresenta características fascinantes que o tornam uma espécie
com alto potencial de se tornar uma espécie bandeira para conservação de Mata
Atlântica. Sua ecologia provavelmente o torna uma espécie indicadora do estado
de conservação de cursos d’água. Devido a seus hábitos noturnos e aquáticos, o
gambá d’água é um animal difícil de ser visto ou capturado pelas armadilhas
comuns de mamíferos. Nosso estudo pretende aperfeiçoar consideravelmente
o pouco que é conhecido sobre sua reprodução, seus padrões espaciais, e sobre
a abundância e a situação das populações remanescentes na Mata Atlântica.
Padrões espaciais
|
Philander frenatus Foto: Ernesto Viveiros de Castro |
|
|
|
|
Efeitos da fragmentação florestal e da defaunação sobre a diversidade, predação e dispersão de sementes de palmeiras da Mata Atlântica
|
|
Dasyprocta agouti Foto: Alexandra Pires |
|
|
|
Esta linha de pesquisa tem como objetivo caracterizar como e porque variam as populações dos marsupiais e roedores em pequenos fragmentos de Mata Atlântica. Os dados obtidos por captura-marcação-recaptura são analisados através de métodos estatísticos específicos, para estimar os parâmetros demográficos fundamentais de cada população - principalmente os tamanhos populacionais (número de indivíduos), as taxas de sobrevivência e de recrutamento, e as proporções de indivíduos reprodutivos. A variação desses parâmetros ao longo do tempo é então relacionada com as variações na disponibilidade de recursos (vide linha de pesquisa "ecologia alimentar") e com as variáveis climáticas - especialmente a precipitação - a fim de entender quais os processos ecológicos que determinam a variação numérica de cada população nos fragmentos ao longo do tempo.
O conhecimento dos hábitos alimentares de cada espécie, assim como da disponibilidade de recursos alimentares, são bases essenciais para entender o quão adequados são os fragmentos pequenos de Mata Atlântica para manter populações de marsupiais e roedores a longo prazo. Os hábitos alimentares são estudados através da análise do conteúdo fecal. As fezes são coletadas das armadilhas após a captura do animal. As amostras são levadas para o LECP, onde são lavadas sob água corrente e deixadas para secar ao ar livre antes de serem triadas. Partes de invertebrados, sementes e outros itens alimentares encontrados na dieta são identificadas sob lupa, com auxílio de especialistas da UFRJ e de outras instituições. Para estudar a disponibilidade de recursos, a variação ao longo do tempo da abundância de frutos e artrópodos, principais recursos alimentares dos marsupiais e roedores, é avaliada quantitativamente nos fragmentos e na mata contínua (para comparações).
Vulnerabilidades diferenciais à extinção
|
Foto: Ernesto Viveiros de Castro |
|
|
|
|
Outras linhas de pesquisa
Outras linhas de pesquisa isoladas também são desenvolvidas no LECP. Recentemente, estudou-se a ecologia populacional e o status de conservação da preá Cavia intermedia, endêmica do arquipélago de Moleques do Sul, Santa Catarina, o mamífero mais raro do planeta (tamanho populacional por volta de 50 indivíduos) e o com menor área de distribuição geográfica (menos de 10 hectares). Foi também estudado o efeito da caça sobre populações de grandes mamíferos na Reserva Biológica do Tinguá, no Rio de Janeiro. Atualmente vem sendo estudada a expansão do javali introduzido, Sus scrofa, no sul do Brasil.