Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apresentou ao ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, um plano emergencial para a continuidade de suas pesquisas na Antártica após a perda da Estação Comandante Ferraz (EACF). Todos os laboratórios e instrumentos do instituto estavam em módulos isolados e são praticamente tudo o que restou em termos de equipamentos científicos após o incêndio que destruiu a maior parte da base brasileira no último sábado.
Segundo Ronald Buss de Souza, chefe do Projeto Antártico do Inpe, a prioridade será realocar ou reativar o que for possível, já que os equipamentos dependiam do fornecimento de energia pelos geradores da Comandante Ferraz para funcionar e estão parados desde o incêndio. O que não puder ser transferido e posto para funcionar nas estações de países amigos próximas à Comandante Ferraz, como a Eduardo Frei (Chile) e a Jubany (Argentina), será trazido de volta para o Brasil ou instalado em Ushuaia, no extremo sul da Argentina.
Souza adiantou que já em 20 de março técnicos do instituto seguirão em voo previsto pela Marinha para a área da EACF, onde instalarão painéis solares e turbinas eólicas no módulo Meteoro, um dos que ficavam mais próximos da estrutura principal da estação destruída pelo fogo. O módulo abriga uma estação meteorológica automática que será religada e retomará a coleta de dados, usados pela Organização Meteorológica Mundial e pelo próprio instituto para alimentar modelos numéricos de previsão do tempo e do clima na região e na América do Sul.
Souza destaca que outra preocupação do plano é com a integridade dos equipamentos do instituto, avaliados em mais de US$ 1 milhão.
- No momento do incêndio, nossos técnicos estavam trabalhando na preparação dos equipamentos para enfrentar os rigores do inverno antártico – lembra. – Isso, no entanto, levava em consideração que uma equipe brasileira, o grupo-base, permaneceria no local durante o inverno, podendo atuar em caso de falha ou ameaça à integridade dos equipamentos. Como não teremos mais isso e não podemos deixá-los à mercê das intempéries, o que não puder ser realocado ou será trazido de volta para o continente, aqui no Brasil, ou instalado em Ushuaia, na Argentina.
Adaptado Jornal O Globo – Online
Fonte: <http://oglobo.globo.com/pais/inpe-planeja-dar-continuidade-aos-estudos-na-antartica-4096091>